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Déficit habitacional qualitativo atinge 26 milhões de moradias no país

O Brasil tem cerca de 26 milhões de moradias em condições inadequadas, segundo dados citados por iniciativas do setor de habitação. Ao CAU Podcast,  gravado durante a Revestir 2026, em São Paulo, o diretor executivo da Comuta Arquitetura e presidente do Instituto Comuta, Guilherme Mazon, ressalta que o chamado déficit habitacional qualitativo, quando a família possui um imóvel, mas ele apresenta problemas estruturais ou de infraestrutura, supera, em escala, o déficit quantitativo, estimado em cerca de 6 milhões de unidades.

As deficiências incluem umidade, mofo, ventilação insuficiente e ausência de revestimentos em pisos e paredes. Essas condições estão associadas a impactos diretos na saúde, especialmente no aumento de doenças respiratórias.

Segundo Mazon, relatos de famílias atendidas por programas de melhoria habitacional indicam redução de crises alérgicas e menor necessidade de uso contínuo de medicamentos após intervenções como correção de infiltrações e melhoria da ventilação.

As condições da moradia também influenciam o desempenho escolar. Ambientes com calor excessivo, pouco espaço e baixa qualidade de sono tendem a prejudicar a atenção e a aprendizagem. Problemas de saúde recorrentes podem aumentar a ausência de alunos nas aulas.

A precariedade habitacional afeta ainda a convivência social. Em imóveis deteriorados, moradores relatam constrangimento em receber visitas. Após reformas, há registro de maior interação social e uso dos espaços domésticos.

A ausência de piso adequado e revestimentos dificulta a higiene, sobretudo em áreas como cozinhas e banheiros. A substituição de chão de terra ou contrapiso por piso cerâmico facilita a limpeza e está associada à redução de infecções e casos de diarreia infantil, segundo estudos internacionais.

Pesquisas também indicam que melhorias no ambiente doméstico contribuem para o desenvolvimento na primeira infância, ao permitir que crianças explorem o espaço com mais segurança.

Nos últimos anos, programas públicos e iniciativas privadas têm ampliado ações voltadas à melhoria habitacional. Entre eles estão linhas de financiamento para reformas e projetos com foco em infraestrutura básica, como construção de banheiros.

Especialistas apontam que políticas habitacionais voltadas apenas à construção de novas unidades não são suficientes para enfrentar o problema, e defendem a ampliação de programas destinados à requalificação de moradias existentes.

Assista a íntegra do podcast.