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Construção civil aposta em tecnologia e inovação para sustentar seu crescimento

Patriolino Dias destaca mudanças que ocorrem no mercado cearense Foto: Douglas Filho/Portal IN

Por Marcelo Cabral – Em 17/07/2026 às 2:22 PM

Aconstrução civil brasileira vive um momento de transição. Em um ambiente marcado por juros elevados, restrições ao crédito e mudanças no cenário internacional, empresas do setor começam a substituir suas estratégias. Antes baseadas apenas em expansão, agora têm foco em modelos que priorizam inovação, eficiência operacional e transformação digital.

É o que revela a Global Construction Surveyda KPMG, segundo a qual 65% dos executivos brasileiros afirmam adotar atualmente uma postura mais cautelosa diante dos riscos econômicos. Apesar disso, o setor mantém uma visão positiva sobre o futuro: 58% dos entrevistados demonstram otimismo quanto às perspectivas dessa indústria.

No Ceará, o mercado imobiliário segue em trajetória de crescimento, impulsionado pelo elevado volume de lançamentos na Região Metropolitana de Fortaleza e pela expectativa de melhora do ambiente macroeconômico. O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), Patriolino Dias de Sousa, disse que o início do ano foi marcado por projeções positivas em relação à política monetária, cenário impactado pela instabilidade geopolítica internacional, devido à gerra no Irã.

“Aqui no Brasil, a inflação tem caído e segundo o Relatório Focus do Banco Central, a tendência é que a taxa de juros recue nas próximas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária). Ficando perto de um dígito, a tendência é que as famílias devam voltar a investir em imóveis, pois o mercado imobiliário é sólido e tem apresentado elevada valorização”, explica.

Mesmo diante desse contexto, a construção civil mantém metas ambiciosas para os próximos meses e deverá bater o recorde histórico de valores negociados. “Nosso setor está trabalhando com rigor, e com muito foco visando atingir o objetivo que temos perseguido desde o início deste ano, que é o de fechar 2026 com um total superior a R$ 10 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) comercializado”, ressalta.

Competitividade passa pela inovação

Tatiana Gruenbaum diz que o cenário ainda é desafiador no Brasil

Segundo Tatiana Gruenbaum, sócia-diretora e líder do segmento de Infraestrutura da KPMG no Brasil, o estudo mostra que a construção civil passa por uma fase de adaptação a um ambiente mais complexo. “O resultado aponta que parte do setor de construção começa a enxergar oportunidades de crescimento apesar dos riscos. É evidente que as empresas lidam com um cenário desafiador devido às incertezas de investimento de clientes, complexidade dos projetos, aumento nos custos, restrições de financiamento, questões tecnológicas, ambiente regulatório e exigências crescentes de sustentabilidade”.

Além do cenário econômico, a pesquisa identifica uma mudança na estratégia das empresas. Para 68% dos executivos, o desenvolvimento das equipes tornou-se prioridade para a competitividade dos negócios. Outros 65% apontam a tecnologia como fator decisivo para o crescimento, enquanto 58% defendem novos modelos de entrega como essenciais para ampliar produtividade e eficiência. Conceitos como automação, análise de dados, integração de processos e digitalização dos canteiros deixam de ser tendências para se consolidarem como ferramentas estratégicas da construção contemporânea.

Segundo Patriolino Dias, essa transformação já pode ser observada no dia a dia das empresas que atuam em território cearense, favorecendo a ambiência de negócios. “Novas tecnologias construtivas estão sendo aplicadas pelas empresas que atuam no Ceará, fazendo com que o ritmo das obras seja acelerado, o que colabora de modo relevante para o impulsionamento do mercado imobiliário  no Estado”, afirma Patriolino Dias.

Um novo ciclo para a construção

O levantamento da KPMG indica que a construção civil entra em uma nova fase de maturidade empresarial. Se durante décadas a competitividade esteve concentrada na capacidade de executar grandes empreendimentos, agora o diferencial passa pela combinação entre tecnologia, gestão, inovação e qualificação profissional. Nesse novo cenário, a inteligência aplicada aos projetos tende a se tornar tão importante quanto a própria execução das obras.

Para um mercado que continua aquecido em regiões como o Ceará, a expectativa é que a próxima etapa de crescimento seja impulsionada não apenas pelo volume de lançamentos, mas pela capacidade das empresas de entregar empreendimentos mais eficientes, sustentáveis e alinhados às novas demandas dos consumidores. O diferencial competitivo estará não apenas no que se constrói, mas em como cada imóvel é contruído.

Patriolino Dias destaca mudanças que ocorrem no mercado cearense Foto: Douglas Filho/Portal IN