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Avanço Digital na Construção: Investimentos Recordes Impulsionam a Adoção do BIM no Brasil

Sylvio Mode -Fotógráfo Marcio Bruno

O setor de infraestrutura brasileiro vive um momento histórico que está refletindo diretamente na modernização da construção civil. Com um aporte recorde de R$ 280 bilhões em 2025 — o maior volume já registrado pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) —, o mercado tem acelerado a sua transformação digital. No centro dessa revolução está a tecnologia BIM (Building Information Modeling).

A Nova Fase de Maturidade do BIM

A metodologia BIM permite integrar todas as informações de um empreendimento em um único ambiente digital, englobando desde o projeto arquitetônico até a execução e operação. Essa abordagem centralizada facilita a identificação de incompatibilidades antes mesmo do início das obras, reduzindo significativamente os temidos retrabalhos e otimizando os custos.

Sylvio Mode, diretor-presidente da Autodesk do Brasil, destaca que o país entrou em uma nova etapa. O desafio agora não é mais provar a eficácia da ferramenta, mas sim escalar sua utilização de forma estratégica, unindo tecnologia, qualificação e gestão integrada de dados.

A importância desse planejamento reflete a clássica regra industrial do “1-10-100”: um erro que custa R$ 1 para ser corrigido no planejamento salta para R$ 10 durante a execução e pode chegar a absurdos R$ 100 se percebido apenas na fase de operação.

O Papel do Setor Público e os Desafios Municipais

O Governo Federal tem sido um vetor importante nessa transição. A Estratégia BIM Brasil, criada em 2018, prevê para janeiro de 2028 a obrigatoriedade do uso da tecnologia em obras federais, abrangendo até mesmo as fases de operação e manutenção. Órgãos como DNIT e Forças Armadas já são adeptos da metodologia.

No entanto, o cenário muda quando olhamos para as administrações locais. Uma pesquisa recente apontou que 83,3% dos municípios brasileiros ainda engatinham na maturidade do uso do BIM. Os maiores entraves continuam sendo a falta de qualificação profissional, a ausência de processos padronizados e a necessidade de uma mudança cultural nas instituições.

Exemplos de Sucesso na Prática

Apesar dos desafios, casos práticos de Norte a Sul do país já comprovam a eficiência do modelo digital:

  • Nova Ferroeste: A TPF Engenharia utiliza a tecnologia para os estudos da ferrovia de 1.304 km que ligará o Centro-Oeste ao Porto de Paranaguá.
  • Gestão Urbana: O IPPUC, em Curitiba, e a URB, no Recife, utilizam laboratórios BIM e ambientes comuns de dados para projetos de mobilidade e contenção de encostas.
  • Nova Serra das Araras (Via Dutra): Na esfera privada, a concessionária RioSP utiliza a gestão integrada na obra rodoviária, que já ultrapassou 65% de execução, chegando a antecipar o cronograma em dois anos.

A expectativa é que a combinação entre políticas públicas adequadas, a evolução do mercado e a integração com outras tecnologias, como a Inteligência Artificial, tornem o BIM a principal alavanca de competitividade para a construção civil brasileira nos próximos anos.

Sylvio Mode -Fotógráfo Marcio Bruno