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Bancos pleiteiam adiamento de novo modelo de crédito imobiliário que promete injetar R$ 52 bilhões

Banco Central prevê novo modelo de crédito imobiliário para 2027, enquanto bancos pedem mais prazo para a entrada plena das regras.(Imagem: Divulgação).

A entrada plena do novo sistema de crédito imobiliário, inicialmente prevista para janeiro de 2027, pode sofrer um atraso. Instituições financeiras estão solicitando ao Banco Central um prazo adicional de um ano para a adaptação às novas regras, que prometem alterar significativamente a dinâmica de captação e concessão de financiamentos habitacionais no país.

O que muda com a nova regra? Atualmente, 65% dos recursos depositados na caderneta de poupança são obrigatoriamente direcionados para o crédito imobiliário. O novo modelo flexibiliza essa exigência, substituindo-a de forma gradual: o saldo da poupança passará a atuar como um referencial para o volume de financiamentos que os bancos precisam contratar.

Para sustentar essas carteiras, as instituições poderão utilizar de forma mais ampla outros instrumentos, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e as Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs). Segundo estimativas do Banco Central (BC), a mudança fará com que cada real depositado na poupança tenha potencial de gerar mais de R$ 1 em crédito, viabilizando R$ 111 bilhões já no primeiro ano — um acréscimo de R$ 52,4 bilhões em relação ao modelo atual.

A resistência do setor bancário O principal obstáculo apontado pelos bancos para a implementação em 2027 reside na combinação entre os custos de captação e as limitações de juros.

Com a taxa Selic em 14% ao ano, as instituições financeiras argumentam encontrar dificuldades para captar recursos a taxas de mercado e, ao mesmo tempo, oferecer financiamentos enquadrados no Sistema Financeiro da Habitação (SFH), que possui um teto de custo efetivo limitado a 12% ao ano. Pelas novas regras de transição, 80% do montante referenciado pela poupança deverá corresponder a financiamentos dentro desse teto.

O Banco Central segue monitorando o cenário de implementação e já sinalizou que poderá avaliar possíveis ajustes frente às reivindicações do setor, enquanto lida com o recente cenário de fuga de capitais da caderneta, que registrou uma saída líquida de R$ 7,15 bilhões em julho de 2026.


Créditos e Referências

Banco Central prevê novo modelo de crédito imobiliário para 2027, enquanto bancos pedem mais prazo para a entrada plena das regras.(Imagem: Divulgação).