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Financiamento habitacional e uso do FGTS dominam debates da 2ª Rodada de Negócios da Habitação da CBIC 

A importância da preservação dos recursos do FGTS e o fortalecimento do financiamento habitacional estiveram no centro dos debates da 2ª Rodada de Negócios da Habitação, realizada nesta quinta-feira (9), em Brasília, pela Comissão de Habitação de Interesse Social da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CHIS/CBIC). O encontro reuniu empresários, dirigentes da entidade, representantes do governo e agentes financeiros para discutir o cenário do crédito imobiliário e alinhar prioridades do setor ao longo do ano.  

Na reunião, o presidente da CBIC, Renato Correia, destacou o papel estratégico do FGTS para a política habitacional e para a continuidade dos investimentos no setor. Segundo ele, o fundo é essencial para garantir a produção de moradias e sustentar o programa habitacional do país.  

“Quanto mais a gente conversa, mais a gente vê a importância. O Minha Casa, Minha Vida é um negócio que a gente tem que preservar como política de Estado. Porque fazer o que está sendo feito em termos de quantidade de habitação, o quanto isso impacta na vida das pessoas, seja no emprego ou na moradia, e que o país precisa muito. Para isso, o FGTS é peça-chave”, afirmou. 

O vice-presidente de Habitação de Interesse Social da CBIC, Clausens Duarte, chamou atenção para riscos relacionados à sustentabilidade do FGTS, especialmente diante de propostas que ampliam hipóteses de saque ou desviam o foco original do fundo.  

“Precisamos preservar o equilíbrio do FGTS para garantir a continuidade das contratações habitacionais”, disse. 

Debate sobre financiamento e orçamento 

Durante a programação, especialistas e representantes do setor público discutiram o cenário do financiamento habitacional, com foco na execução orçamentária do FGTS e do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) para 2026, além de temas como custos das obras, jornada de trabalho, regularização e relacionamento com concessionárias.  

Representando o Ministério das Cidades, a diretora de Provisão Habitacional, Ana Paula Peixoto, apresentou dados de desempenho do programa habitacional e destacou o aumento das contratações no primeiro trimestre do ano. Segundo ela, o ritmo de produção tem crescido em relação ao ano anterior, com perspectiva de ampliação das unidades financiadas ao longo de 2026.  

“A meta do governo federal é chegar ao final do ano com 850 mil unidades contratadas”, destacou. 

Importância do FGTS para o setor 

Convidado do encontro, o ex-ministro do Desenvolvimento Regional Daniel Ferreira enfatizou o papel do FGTS como instrumento essencial para o desenvolvimento habitacional e econômico do país. Ele afirmou que o fundo é fundamental para sustentar o crédito, gerar empregos e reduzir desigualdades regionais, além de atuar como mecanismo anticíclico em momentos de crise.  

Ferreira também alertou para a necessidade de ampliar a conscientização sobre a relevância do FGTS, defendendo que o fundo seja preservado e utilizado de forma estratégica para garantir investimentos em habitação e infraestrutura.  

“O FGTS é um desafio de conscientização. A sociedade tem que se conscientizar do que significa o FGTS para os brasileiros. Às vezes, um pedreiro que faz a construção de uma habitação tem um emprego formal e pode comprar um imóvel naquele mesmo empreendimento com o FGTS. E ele não sabe”, disse.  

Representante da CBIC no Conselho Curador do FGTS, Maria Henriqueta Arantes Alves destacou a importância do trabalho técnico na defesa do fundo e da política habitacional. “Contrariamos interesses, mas sempre buscamos acordos em nome da grandeza e da defesa dos nossos princípios”, afirmou.   

Cenário do crédito habitacional 

Pela Caixa Econômica Federal, o líder da Superintendência Nacional de Habitação Pessoa Jurídica, Raul Gomes, avaliou que o cenário atual é positivo e que o setor vive um trimestre com resultados expressivos. Segundo ele, a ampliação dos recursos e o fortalecimento das linhas de financiamento contribuíram para melhorar o desempenho das contratações.  

“Hoje a gente pode afirmar sem sobra de dúvidas que essa discussão é uma não-discussão de um problema de fundo, e hoje a gente está puxando um trimestre fantástico”, disse, ao comparar os resultados recentes com o cenário do ano anterior.    

Soluções de financiamento 

Durante o encontro, a instituição financeira Creditú apresentou propostas para ampliar o acesso ao crédito habitacional. Participaram da apresentação David Muñoz, CEO Brasil da Creditú, e Armando Botelho, responsável pela área comercial no país.  Os representantes defenderam a criação de mecanismos financeiros para suprir a lacuna da entrada do financiamento imobiliário, com objetivo de ampliar o acesso à moradia e acelerar as vendas das incorporadoras.  

Botelho ressaltou que o principal desafio do mercado está no financiamento da entrada do imóvel. “A entrada está no lugar errado. O cliente precisa comprar e ele não tem a poupança. Hoje, quem faz isso é a incorporadora. Vocês, as incorporadoras, para não perder negócio, assumem o papel de financiador do cliente”, explicou.   

Também participaram do encontro os representantes da Caixa Econômica Federal: o superintendente nacional de Habitação, Alexandre Martins, e a gerente nacional de Fundos e Contratos de Políticas Públicas, Marise Viegas. 

Por Agência Cbic

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