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73º Fórum Nacional de Habitação debate primeira infância como pilar da qualidade habitacional

Instituto PIPA e Coalizão Urban 95 apresentam diretrizes para projetar espaços que estimulam o desenvolvimento infantil em empreendimentos sociais

O 73º Fórum Nacional de Habitação de Interesse Social trouxe no segundo dia um painel dedicado às ações voltadas à primeira infância nos programas habitacionais. Coordenado por Pablo Thiago, presidente da Cehab RN, o debate reuniu representantes do Instituto PIPA, da Coalizão Urban 95 e da construtora Viana e Moura, que apresentaram experiências e metodologias para integrar o cuidado com crianças de 0 a 6 anos aos projetos de Habitação de Interesse Social.

Camila Paiva, do Instituto PIPA, explicou que a entidade, nascida no âmbito da Viana e Moura, atua na formação parental para famílias com crianças na primeiríssima infância (0 a 3 anos), período em que se desenvolve até 80% da capacidade cerebral. O PIPA já atendeu mais de duas mil famílias em cinco estados do Nordeste, combinando benefício a colaboradores e atuação em territórios vulneráveis. “A forma mais assertiva de romper o ciclo de pobreza é através da primeira infância”, afirmou.

Ana Maciel, consultora da Coalizão Urban 95, apresentou a metodologia da rede internacional financiada pela Fundação Van Leer, que trabalha com a altura de 95 centímetros – a média de uma criança de três anos – como referência para planejar cidades e espaços habitacionais. Ela detalhou cinco eixos de atuação: comunidade e território protetivo, caminhos e proximidades, criança e natureza, identidade e cultura popular, e vínculo e cuidado. A Urban 95 já realizou consultorias em projetos do Minha Casa Minha Vida em vários estados, impactando 12 mil unidades, e contribuiu para a inclusão de critérios de primeira infância em editais do FAR.

Tales Medeiros, arquiteto urbanista da Viana e Moura, trouxe o exemplo prático do Residencial Recanto das Laranjeiras, em Caruaru (PE). O condomínio de 500 unidades térreas recebeu o “Percurso Pipa” – um eixo de pedestres arborizado e acessível que articula pequenas praças com brinquedos não estruturados, feitos de materiais pré-moldados e duráveis. O investimento total foi de R$ 200 mil, o equivalente a R$ 400 por unidade habitacional. “Projetar a cidade para as crianças é garantir que o espaço será bom para todos”, concluiu Medeiros.

O painel reforçou que a qualidade dos espaços comuns – desde travessias seguras até brinquedos naturalizados – é determinante para o desenvolvimento saudável das crianças e para a consolidação de comunidades mais coesas e sustentáveis.

O 73º Fórum Nacional de Habitação de Interesse Social se encerra amanhã (15/05), com entrega do Selo de Mérito 2026 e visita técnicas ao Projeto Sustentável, localizado no Jardim Monte Verde.