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Planejamento urbano busca que aglomeração gere mais efeitos positivos que negativos

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Produtividade deve superar efeitos de custos mais altos da terra, da mão de obra e da moradia nas cidades

O crescimento econômico de uma cidade está fortemente ligado à sua produtividade, ou seja, à eficiência com que utiliza sua força de trabalho, o capital disponível, as informações, a energia e, principalmente, o solo urbano.

É bastante clara a percepção de que cidades com maior densidade de empresas e habitantes são mais produtivas. E muitas teorias têm sido desenvolvidas para explicar de que forma o desenvolvimento urbano pode ser relacionado ao crescimento da produtividade e, consequentemente, da economia. Recente trabalho publicado pela ONU-Habitat, sobre fundamentos econômicos da urbanização sustentável, avalia importantes aspectos de teorias que envolvem as economias de aglomeração, de escala, de localização e de finalidades, todas no âmbito da produtividade e do crescimento econômico das cidades.

São Paulo, uma das maiores aglomerações urbanas do mundo, vista a partir do bairro do Morumbi (zona oeste) – Zanone Fraissat/Folhapress

Segundo a teoria da economia de finalidades, os custos de produção podem ser diminuídos se for fabricada uma gama de produtos similares conjuntamente, ao invés de serem feitos isoladamente, compartilhando de forma centralizada processos de produção, marketing, custos fixos etc. Este conceito se aplica também às cidades, uma vez que seu crescimento econômico está ligado às oportunidades oferecidas às empresas de utilizarem em seu processo de produção uma eficiente inter-relação com outros elos da cadeia produtiva, proporcionada pela ambiência urbana.

Contudo, os efeitos mais importantes no estudo do crescimento econômico urbano estão ligados às economias de aglomeração e escala.

As cidades, em função da aglomeração, disponibilizam um enorme conjunto de alternativas para compra e venda de mercadorias e serviços, além de oferecerem um ambiente propício para inovação em áreas como transporte, energia e infraestrutura. A maior concentração de pessoas, atividades e recursos nas áreas urbanas torna as cidades cenários ideais para geração de emprego e renda.

Considerados esses aspectos, as áreas urbanas de maior dimensão e concentração de pessoas tendem a ser mais produtivas. Grandes mercados podem facilitar o intercâmbio de informações e aprendizado, promovendo o desenvolvimento e a adoção, de forma generalizada, de novas tecnologias e práticas de negócios.

Além disso, o emprego e os serviços urbanos se beneficiam diretamente das economias de aglomeração, devido à redução de custos ocasionada pela proximidade e escala. Isso pode fazer com que o investimento nas áreas urbanas tenha um forte efeito multiplicador, estimulando outras atividades de alto valor agregado. As áreas urbanas de maior dimensão são as mais produtivas, também por permitirem maior especialização em mão de obra, melhor adequação de empregos e um amplo leque de opções de consumo para a população.

Contudo, se por um lado existem vantagens propiciadas pela produtividade, as aglomerações urbanas podem também provocar externalidades negativas, ou deseconomias de escala.

A alta demanda provoca a escassez de terrenos e eleva o preço das áreas passíveis de utilização. A falta de sintonia entre o crescimento urbano e a rede de transportes e serviços públicos origina crescentes congestionamentos, insegurança, falta de oportunidades culturais e recreativas, altos níveis de ruído, poluição atmosférica e efeitos ambientais adversos. Esses efeitos somados podem, portanto, limitar as oportunidades nas cidades e reduzir a qualidade de vida de seus habitantes.

Por todas essas razões, é necessário que o planejamento urbano seja capaz de estruturar o desenvolvimento das cidades, de tal forma que os efeitos da aglomeração possam gerar mais externalidades positivas do que negativas.

Dessa forma, a garantia de que uma maior produtividade supere os efeitos dos custos mais altos da terra, da mão de obra, da moradia e de outras necessidades permite que a cidade cresça e se desenvolva economicamente.

Planejar cidades com sucesso é viabilizar sonhos utópicos, temperando-os com uma forte dose de realidade socioeconômica.

Claudio Bernardes
É engenheiro civil e presidente do Conselho Consultivo do Secovi-SP.

Fonte: Folha de S. Paulo

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