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Falta de recursos compromete projetos do Minha Casa Minha Vida

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A liquidez do FGTS tem diminuído pouco a pouco nos últimos anos devido à liberação de recursos para fins variadosA perspectiva de mudanças nas regras do Minha Casa Minha Vida (MCMV), e a tendência de diminuição de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para abastecer o programa habitacional têm feito as grandes construtoras residenciais do país revisarem seus planos de negócios.

MRV e a Direcional pretendem remanejar parte dos seus próximos empreendimentos para fora do programa. A intenção é seguir construindo moradias para famílias de baixa renda, mas sem contar com financiamento originado no FGTS, como ocorre no MCMV. Por sua vez, a Tenda está ajustando o perfil de seus projetos na tentativa de ganhar eficiência e evitar a corrosão da rentabilidade em meio ao ambiente de negócios mais árido.

A MRV é a maior operadora do Minha Casa Minha Vida, com cerca de 10% de participação no volume anual de obras contratadas. A empresa comunicou hoje que reduzirá gradualmente os projetos do programa em seu portfólio do nível atual de 80% para cerca de 40% nos próximos anos.

O espaço no portfólio será preenchido por empreendimentos que estão numa faixa de preço similar à do teto do MCMV, em torno de R$ 300 mil, que podem ser financiadas por linhas de crédito com recursos originados no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Esses projetos representam hoje 8% do portfólio e a meta é elevar para cerca de 35%.

A companhia prevê ainda que cerca de 25% dos empreendimentos serão “híbridos”, ou seja, poderão ser enquadrados nas linhas de crédito do MCMV ou nas linhas com taxas de mercado, dependendo da atratividade de cada segmento.

“Se olharmos para o FGTS hoje, vemos uma menor disponibilidade de recursos do que víamos antes”, afirmou o copresidente da MRV, Eduardo Fischer, em entrevista ao Broadcast. “Em vez de ficar com o risco na mão, que é a limitação do FGTS, estarei me expondo cada vez menos ao programa”, emendou.

Fischer ressaltou ainda que vê o ciclo de redução das taxas de juros no país como um fator capaz de alterar a dinâmica do setor imobiliário. O executivo apontou que já existem linhas de mercado com taxas na casa de 7% ao ano, patamar inferior ao praticado na faixa 3 do MCMV, que é de 8,16% ao ano. “Na minha cabeça, a faixa 3 está deixando de existir. Ela já não tem subsídio do FGTS, e a taxa está maior do que no mercado. Está perdendo sentido”, avaliou.

 

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