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CBIC planeja discutir com governo uso do FGTS

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Há preocupação da entidade com recursos para a habitação direcionada para a baixa renda

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) deixou claro, ontem, que embora esteja otimista com o setor imobiliário, neste cenário de redução da taxa básica de juros Selic, tem muita preocupação em relação aos recursos do fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), principal fonte de financiamento do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. Segundo o presidente da CBIC, José Carlos Martins, a entidade vai se reunir, nos próximos dias, com representantes da equipe econômica do governo para discutir o futuro dos recursos do FGTS.

“Temos preocupação com o fundo de garantia, cujo orçamento para os próximos anos é decrescente. O financiamento com recursos da poupança está aumentando 30%, enquanto o para a baixa renda cai 10%. Não dá para perceber uma política habitacional em cima disso”, disse Martins, ao apresentar os dados de lançamentos e vendas de imóveis no terceiro trimestre.

O presidente da CBIC ressaltou que a maior parte do déficit habitacional está concentrado na baixa renda e que o que se lança de imóveis com financiamento do FGTS é vendido. “O setor está lançando, vendendo, mas está faltando financiamento”, afirmou Martins, acrescentando que o setor pretende levar ao governo o que pode ser feito para que não haja problema de oferta futura no segmento.

“O orçamento do FGTS para subsídio previsto para 2022 é um terço do atual e, para daqui dois anos, metade. As construtoras vão se virar e fazer outro produto para faixas mais altas, mas nossa preocupação é com o conjunto”, disse Martins. O vice-presidente da CBIC, Celso Petrucci, acrescentou que a demanda por habitação de interesse social continuará a existir, mas que tem havido destinação de recursos do FGTS para outras áreas.

A CBIC em expectativa que o número de unidades das faixas 2 e 3 do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida seja mantido em 2020, ainda que possa haver redução nos subsídios. “Não acredito que haverá mudanças relevantes para as faixas 2 e 3”, disse Petrucci, acrescentando esperar que os subsídios para famílias com renda mensal de até R$ 2.600 seja muito superior àqueles para famílias com rendas maiores.

Questionado sobre o “voucher” para habitação destinada à baixa renda em cidades com até 50 mil habitantes que o governo pretende incluir no novo programa habitacional, o presidente da CBIC afirmou que se trata de substituição ao que é hoje a faixa 1 do Minha Casa. Segundo Martins, essa intenção causa “muita estranheza” e é preciso “cometer novos erros” e não repetir “problemas criados no passado”. “Querem fazer voucher para faixa 1 e esquecem de colocar recursos do FGTS para quem quer financiamento”, afirmou.

Segundo o presidente da CBIC, não se espera que as taxas de juros com recursos de poupança sejam reduzidas para segmentos de renda mais baixa em continuidade ao que tem ocorrido para clientes da faixa 3 do programa habitacional. “A renda maior [de clientes enquadrados na faixa 3 do Minha Casa]permite aos bancos ter rentabilidade indireta no decorrer dos contratos de financiamento”, disse Martins.

No terceiro trimestre, os lançamentos de imóveis cresceram 4,1%, na comparação anual, para 33.199 unidades, conforme levantamento realizado pela CBIC e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), e as vendas tiveram alta de 15,4%, para 32.575 unidades. No acumulado de nove meses, o volume lançado aumentou 10%, para 94.300 unidades, e o vendido cresceu 17%, para 82.044 unidades. No fim de setembro, a oferta disponível de imóveis era de 124.644 unidades, o correspondente a 11,6 meses de vendas.

Fonte: Valor Econômico

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