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Aprender um ofício, ter emprego e o melhor: construir a própria casa

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“Eu estou aprendendo muito. Coisas que eu nem imaginava que um dia poderia aprender e agora tenho a oportunidade. Também posso dizer que agora tenho um trabalho”, declara Mariana Gonçalves, 25 anos, que parou o estudo quando estava na 5ª série e agora tem orgulho de dizer que trabalha como pedreira e azulejista no projeto de construção da sua própria casa para 300 famílias.

Ela é uma das atendidas pelo programa desenvolvido em parceria entre a Agência de Habitação Popular de Mato Grosso do Sul (Agehab) e a Empresa Municipal de Habitação (Emha) para construção de moradias para famílias que viviam na antiga favela Cidade de Deus. O Estado liberou cerca de R$ 4,9 milhões para a compra dos materiais e a Prefeitura ofereceu qualificação técnica.

 Entre tantos projetos habitacionais, o diferencial desse é que as casas são erguidas pelas mãos dos futuros moradores. “Eu fico muito feliz de estar construindo a minha casa. Saber que você está fazendo algo que é para você, para os seus amigos, é uma alegria, a gente faz tudo com mais amor, mais carinho”, confessa Miriam Salviano, de 45 anos, que por enquanto mora em um barraco improvisado no Bom Retiro.

Miriam Salviano, 45 anos, trabalha feliz porque está construindo sua casa. (Foto: Edemir Rodrigues)Miriam Salviano, 45 anos, trabalha feliz porque está construindo sua casa. (Foto: Edemir Rodrigues)

São 128 trabalhadores que receberam qualificação profissional para atuar na construção civil. Eles estão inscritos no Programa de Inclusão Profissional (Proinc), recebendo bolsa-auxílio de R$ 954, cesta básica, almoço e vale-transporte.

Ao ver o andamento das obras, com algumas casas já em fase de acabamento final, Miriam se diz sem palavras e exclama: “eu imaginava algo mais simples. Está muito melhor do que pensei”. A previsão é entregar as primeiras casas, no bairro Bom Retiro, no mês de dezembro deste ano.

Descoberta de dons

No início do treinamento, cada um dos moradores pode optar por qual área teria mais interesse em obter qualificação profissional, de acordo com suas habilidades. “Procuramos observar as aptidões de cada e a necessidade do trabalho também”, explica o engenheiro eletricista Luiz Flavio de Oliveira.

Luiz Flavio de Oliveira, engenheiro eletricista. (Foto: Edemir Rodrigues)

Luiz Flavio de Oliveira, engenheiro eletricista. (Foto: Edemir Rodrigues)

“Eu quis ficar com a parte de pintura. É algo que gosto, queria aprender e posso depois usar como profissão”, conta a artesã Leni Santina, de 44 anos.

Já Mariana Gonçalves, de 25 anos, escolheu a qualificação como azulejista “por ser algo que exige mais atenção aos detalhes, talvez”.

Claudio da Silva, de 36 anos, já atuava como pedreiro antes do projeto, mas diz que a qualificação serviu para aprimorar o conhecimento e observa muitos talentos nascendo entre os colegas. “A gente vê que eles aprenderam mesmo, trabalham certinho. Tenho certeza que vão sair muitos profissionais daqui”, aposta.

Novo emprego

Com a qualificação e a experiência diária no canteiro de obras, muitos planejam seguir na carreira após o término do projeto e alguns já aproveitam para conseguir uma renda extra no fim de semana. “Eu e meu esposo estamos colocando o piso em uma casa e vamos fazer o serviço de pintura depois. É um dinheiro que vamos guardar para depois investir na reforma da nossa futura casa”, planeja Virginia Fabiana Cabral, de 28 anos.

Artesã Leni Santana, 44 anos, gosta da parte de pintura. (Foto: Edemir Rodrigues)

Artesã Leni Santana, 44 anos, gosta da parte de pintura. (Foto: Edemir Rodrigues)

Virginia Fabiana Cabral, 28 anos, já ganha um extra com o serviço nos fins de semana. (Foto: Edemir Rodrigues)

Virginia Fabiana Cabral, 28 anos, já ganha um extra com o serviço nos fins de semana. (Foto: Edemir Rodrigues)

Gerson Correa, de 28 anos, aproveita os fins de semana para fazer alguns serviços na área também, mas o que quer mesmo é conseguir emprego com carteira assinada. “Quando terminar aqui (o projeto) vou ter a experiência e o certificado da Funsat. Acredito que vai ser mais fácil conseguir alguma coisa”, aposta.

Para Luiz Alberto Guimarães, de 35 anos, está tendo oportunidade de aprender sobre pintura e carpintaria para no futuro conseguir emprego e salário. “É o que espero: um emprego no futuro. Aqui aprendo de tudo um pouco”, conta.

Barracos vão ser substituídos por casas de alvenarias. (Foto: Edemir Rodrigues)

Barracos vão ser substituídos por casas de alvenarias. (Foto: Edemir Rodrigues)

Mulheres

Empurrando um carrinho de mão cheio de cimento, maquiada, com batom e brincos de argola, Edinalva Luiz, de 36 anos, é um exemplo da força e da dedicação aos mínimos detalhes que as mulheres representam no canteiro de obras do Bom Retiro. “Eu gosto de me arrumar e venho feliz trabalhar porque estou construindo a minha casa”, frisa.

Elas respondem por 50% da mão de obra no local, mas na pratica há quem diga que são maioria no trabalho. “As mulheres trabalham mais que muito homem aqui. Tem alguns homens que ficam só morcegando e elas não, trabalham mesmo”, confessa Gerson.

Fonte: Campo Grande News

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