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Acordo prevê unidades do Minha Casa para servidores

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Termos estão em negociação, conforme Nelson de Souza, vice-presidente de habitação da Caixa Econômica

A Caixa Econômica Federal e o Governo do Ceará negociam acordo de cooperação para a construção de unidades do Minha Casa Minha Vida para os servidores do Estado que ganham até R$ 4 mil. Os termos ainda não estão fechados, mas, ontem, o vice-presidente de habitação da Caixa, Nelson Antônio de Souza, esteve em Fortaleza em reunião com o governador Camilo Santana, tratando do projeto.

Nelson Antônio de Souza, Vice Presidente de Habitaçãoda CAIXA. Progama Raio X com a Neila Fontenele na Tv O POVO. (Foto: Aurélio Alves /ESPECIAL O POVO)

Nelson Antônio de Souza, Vice Presidente de Habitaçãoda CAIXA. Progama Raio X com a Neila Fontenele na Tv O POVO. (Foto: Aurélio Alves /ESPECIAL O POVO)

Em entrevista ao O POVO, Nelson de Souza também fala sobre o processo de recuperação da economia, em especial da construção civil – segundo ele, só no primeiro semestre deste ano, já foram contratados em habitação 22,1% a mais do que no mesmo período de 2016 -, dos projetos do Minha Casa, Minha Vida no Estado, saques do FGTS inativo e da suspensão da linha pró-cotista, que era a mais barata para imóveis acima de R$ 225 mil, até 2018. “Se você aplica muito na linha pró-cotista, você pode comprometer a linha para baixa renda”.

O POVO – Qual a pauta do seu encontro com o governador Camilo Santana?

Nelson de Souza – Na habitação, temos operado bem aqui no Ceará. Nós temos um valor inicial de R$ 2 bilhões de aplicação. Destes, R$ 1 bilhão já foi contratado no primeiro semestre e tem mais R$ 1 bilhão para o segundo semestre. Mas também vamos desenvolver outras agendas com relação à habitação para servidores e outras pautas com o Estado na área de infraestrutura.

OP – Como vai funcionar este programa de financiamento de habitação para servidor?

Nelson – Nós ainda estamos estudando o que fazer, quais seriam os caminhos. O governador é muito atento a isso, estamos estudando a melhor maneira de fazer um programa especial para o servidor público.

OP – E na área de infraestrutura?

Nelson – Já tem alguns empreendimentos sendo tocados na infraestrutura que estão em regime de liberação. O mais importante que vamos trabalhar é este projeto de habitação. Mas se tiver mais projetos preparados aqui para o Ceará nós vamos logicamente aplicar também, já que o Estado tem uma parceria muito boa com Caixa Econômica.

OP – Este mês a Caixa suspendeu a linha de financiamento Pró-cotista, a mais barata para imóveis acima de R$ 225 mil. Esta suspensão teve relação com a liberação dos recursos do FGTS de conta inativas?

Nelson – Não teve nenhuma relação. O pró-cotista é uma linha especial para quem tem contas vinculadas do FGTS há mais de três anos e que tem pelo menos 10% de saldo na conta vinculada do FGTS em relação ao valor do imóvel, são alguns pré-requisitos para enquadramento nesta linha. Em 2016, no ano todo, foram utilizados R$ 5,5 bilhões, somente no primeiro semestre de 2017 já foram utilizados R$ 6,1 bilhões. Nós aplicamos mais em seis meses do que o ano todo de 2016. Esta linha de crédito representa muito pouco em relação a peça orçamentária do FGTS, que este ano tem R$ 60 bilhões, ou seja, representa 10% da média. Se você aplica muito na linha pró-cotista, você pode comprometer a linha para baixa renda.

OP – Este aumento da procura pela linha do pró-cotista o senhor atribui a quê?

Nelson – A retomada da economia, em especial o setor da construção civil. Para você ter ideia, nos 14 feirões que a Caixa realizou, o volume de negócios fechados, de famílias que saíram com seu imóvel na mão, foi de R$ 3,1 bilhões. Isso é 27,22% a mais do que os feirões de 2016. Outro dado contundente que ratifica este crescimento da economia, em especial da construção civil, é que a Caixa aplicou no primeiro semestre – o global de todas as aplicações da Caixa em habitação – 22,1% a mais do que o primeiro semestre de 2016.

OP– Este crescimento também foi registrado no Ceará?

Nelson – Sim. O Feirão da Caixa em Fortaleza teve crescimento de 18%. O volume de negócios em 2016 foi de R$ 712 milhões, e em 2017 foi quase R$ 1 bilhão, R$ 913 milhões. Além do mais, o nível de confiança das famílias na indústria da construção civil cresceu. Como também o estoque de imóveis começa a diminuir e, com esta diminuição, o valor do metro quadrado começa a subir, então a oportunidade para comprar é agora. Ou seja, você não vai deixar que o imóvel cresça o valor de venda, as taxas de juros estão caindo, estão boas, e temos recursos e prazos.

OP – Mas esta restrição na linha pró-cotista não coloca em risco este processo de retomada?

Nelson – Não, a linha pró-cotista não representa quase nada. A peça orçamentária da Caixa é de R$ 84,2 bilhões, a pró-cotista é de R$ 6,1 bilhões. O maior volume é na linha pró-moradia, que é a linha para o povo brasileiro, que é de R$ 55 bilhões para este ano. O que temos que ter cuidado é principalmente com a baixa renda, habitação e interesse social, habitação popular, que é o Minha Casa, Minha Vida.

OP – Quando o senhor fala da retomada do consumo no setor imobiliário, quem é que está voltando a comprar?

Nelson – Todas as faixas de renda, umas mais que outras. E quem está comprando mais é onde se observa o maior déficit que é, por exemplo, o da renda até R$ 2.600, que é a linha Minha Casa, Minha Vida faixa 1,5 ou então até R$ 3 mil, R$ 4 mil, que é o FGTS também da Minha Casa, Minha Vida.

OP – Há previsão de restrição nestas linhas?

Nelson – Não, nenhuma restrição em relação a este público. O maior cuidado que nós temos é em preservar o financiamento, crédito para estas famílias.

OP – O senhor coordenou no Ceará o saque do FGTS inativo. Qual a avaliação faz deste período?

Nelson – Coordenei aqui e em outros estados, como São Paulo. No Brasil – e no Ceará não foi diferente -, o pagamento das contas inativas, da resolução 763, foi um êxito. Quando você planeja algo para atender bem e se preocupa com o bem estar da sociedade brasileira, as coisas acontecem. A Caixa teve todo este cuidado, planejou, disponibilizou site com antecedência, criou um 0800, capacitou os empregados, abriu as agências em horários diferentes, aos sábados, criou um calendário de pagamentos, tudo isso culminou com a satisfação do povo brasileiro que aprovou todas as medidas e ninguém reclamou neste período. Estes pagamentos serão concluídos no dia 31 de julho.

OP – Muita gente deixou de sacar?

Nelson – Não, muito pouco. Desta última que estamos pagando agora, dos que nasceram em dezembro, então só tem um mês e praticamente não tem mais ninguém para pagar. Os remanescentes de outros meses, aqueles que não receberam em datas anteriores, podem receber até o dia 31 de julho. Se não fizer isso no prazo, não perde o recurso, ele volta para as contas vinculadas do FGTS e eles poderão fazê-lo quando tiverem direito de sacar por algum outro motivo de saque.

OP – Haverá novidades no Minha Casa, Minha Vida no Ceará?

Nelson – Para este ano, são R$ 2 bilhões no Ceará, mas se tiverem bons projetos, podemos passar disso ai. Estes investimentos estão mais concentrados em Fortaleza, já foram R$ 650 milhões neste primeiro semestre.

OP – Nesta parceria com o Estado tem outro projeto que pode sair?

Nelson – Tem muitos projetos sendo trabalhados com o Estado, mas referente a outras áreas de infraestrutura, que não é bem a área que estou à frente, mas na habitação nós temos empreendimentos, por exemplo, do Faixa 1 que ainda vamos entregar. Nós já aplicamos um valor substancial em relação ao Minha Casa, Minha Vida também em Fortaleza. Dentro do Minha Casa, Minha Vida, de 2009 até agora, somente no estado do Ceará, nós aplicamos praticamente R$ 10 bilhões, é uma soma considerável e temos vários empreendimentos em construção. Agora, este mês, nós vamos entregar vários empreendimentos em Fortaleza e no interior.

Fonte: Jornal O Povo

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